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19 de Outubro de 2017
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    "Jeitinho brasileiro" pode configurar ato de corrupção

    ROTA-JURIDICA
    Publicado por ROTA-JURIDICA
    há 5 anos

    Não declarar Imposto de Renda, falsificar carteirinha de estudante ou, simplesmente, furar uma fila. A maior parte da população não considera essas atitudes erradas e as encaram como parte do cotidiano. Pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Instituto Vox Populi revela que 23% dos brasileiros acreditam que dar dinheiro a um guarda para evitar uma multa não chega a ser um ato corrupto. Mas esses atos, conhecidos como o famoso “jeitinho brasileiro”, podem ser mais graves do que parecem e configuram, até mesmo, ato de corrupção.

    O coordenador em Goiás da campanha do Ministério Público "O que você tem a ver com a corrupção", o promotor de Justiça Rodrigo Bolleli (foto) observa que essas atitudes já foram banalizados e enraizados culturalmente. Por isso, a campanha visa mostrar à população que esses pequenos atos, tidos como normais, também são desvios de conduta e devem ser repensados. “O Brasil ainda não sedimentou os princípios básicos da honestidade e o conceito de ética varia. É preciso conscientizar as pessoas de que tudo começa com os pequenos atos e uma coisa leva a outra”, acredita.

    Em entrevista à BBC Brasil, o promotor de Justiça Jairo Cruz Moreira, coordenador nacional da campanha do MP, observa que muitas pessoas não enxergam o desvio privado como corrupção e só levam em conta a corrupção no ambiente público. Ele listou dez práticas de “corrupção” do dia a dia do brasileiro. São elas: não dar nota fiscal; não declarar Imposto de Renda; tentar subornar o guarda para evitar multas; falsificar carteirinha de estudante; dar/aceitar troco errado; roubar TV a cabo; furar fila; comprar produtos falsificados; no trabalho, bater ponto pelo colega e falsificar assinaturas.

    A exemplo de Bolleli, o coordenador nacional da campanha do MP reforça a ideia de que aceitar essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes corrupções. Segundo explica, é como se uma criança que hoje cola em uma prova possa, no futuro, subornar um guarda sem achar que isso é corrupção. Para ser ter ideia disso, a pesquisa do Instituto Vox Populi mostra que 35% dos entrevistados dizem que algumas coisas podem ser um pouco erradas, mas não corruptas, como sonegar impostos quando a taxa é cara demais.

    Bolleli, que é também é coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAÓ) do Patrimônio Público, observa que a campanha, iniciada em 2007, trabalha em dois vieses. Sendo o punitivo e, o mais importante o de caráter educativo. O trabalho de educação, segundo o promotor, visa justamente conscientizar o cidadão da gravidade dos pequenos atos de corrupção, da importância do respeito à ética, moral e da honestidade.

    O promotor lembra que o despertar dessa consciência deve ser trabalhado na base, ou seja, nas escolas. Para demonstrar a eficácia disso, ele cita o exemplo de uma escola de Uruana, no interior do Estado. Segundo conta, depois de uma semana de orientação no local, as crianças da instituição montaram uma cantina como nome “Honestidade”. No lugar, não tinha a figura do caixa para receber o pagamento. Os alunos simplesmente retiravam o lanche e deixavam o dinheiro no local. “O que demonstrou o princípio da honestidade”, diz.

    POSITIVO

    A pesquisa da UFMG com o Instituto Vox Populi também mostra dados positivos, como o fato de 84% dos ouvidos afirmar que, em qualquer situação, existe sempre a chance de a pessoa ser honesta.

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